23 maio 2017

Como ter um corpão




























Desde quando comecei o blog tenho a vontade de falar um pouco sobre o meu processo de aceitação com o corpo. Sei que é uma tarefa muito difícil e muitas pessoas também não se sentem bem com seus corpos, e falando um pouco disso sinto que minha missão foi cumprida.

Até os doze anos eu não via problema nenhum com meu corpo, não ligava pra nada e nem me preocupava se estava engordando ou não. Eu não era uma adolescente gorda e nem magra, estava no termo "gordinha". Era uma das mais encorpadas da sala, tinha uma bunda considerada grande e seios de um ótimo tamanho pra mim hoje. Só que sempre percebia que os meninos iam mais na minha amiga, que era daquelas bem magra.

Aos treze anos comecei a me importar. Na minha cabeça eu estava gorda e precisava emagrecer urgente. Mas não queria pedir ajuda de ninguém, queria mesmo era mostrar para as pessoas que podia fazer isso sozinha e quando chegasse a um peso iria parar e estava ótimo.

Então, informada do jeito que eu era, comecei a fazer poucas refeições. Tomava café da manhã de vez em quando, almoçava e passava o resto do dia sem comer nada. Só as vezes que comia um pouco à tarde e quando minha mãe fazia janta. Essa era a pior parte, eu não queria jantar, estava morta de fome mas não queria comer pra não engordar. Outra coisa que eu odiava fazer era tomar banho. Não queria me ver no espelho nua, tinha pavor disso. Ou ficava olhando toda hora que comia pra vê se a barriga "aumentou".

Comecei a afastar da minha família, morria de raiva quando eles falavam que estava doente. Não queria aceitar que estava passando por dificuldade com meu corpo. Minhas amigas também começaram a falar que estava muito magra e essas coisas. Minha vontade era apenas ficar dentro do quarto trancada. Não tinha disposição pra sair, vontade nenhuma de arrumar.

Quando "furava a dieta", comia desesperadamente biscoito, pão, essas eram as coisas que mais me davam compulsão. Ou atacava uma caixa de bombom e ficava um dia sem comer quase nada e só bebendo água.

Aí eu já havia parado de menstruar, não tinha peito nem bunda mais, ia no banheiro de dia em dia e meu cabelo começou a cair muito. Eu não conseguia me enxergar no espelho como eu realmente estava nem hoje consigo imaginar, porém sei que passei muita raiva comigo mesma por estar daquele jeito. Lembro que ficava horas no banheiro fazendo massagem na barriga pra vê se aquela pochetezinha saia. E apertava com raiva e gritava.

Quando saia, passava o tempo olhando pra barriga dos outros, a maioria das vezes falava que a pessoa estava gorda, assim me sentia melhor e mais bonita. Era uma perda de tempo, se eu não estava bem comigo, nada nem ninguém iria mudar isso de dentro de mim.

Lá pros quatorze anos já achava que estava ótima, que aquilo tinha parado. Comecei a comer mais, mas me preocupando se ia engordar, ficava um bom tempo sem comer, só bebia água depois de três horas que havia feito alguma refeição. Foi nessa época também que percebi que estava sem nada de corpo. Então comecei a fazer uns exercícios para perna em casa mesmo. Ficava horas no quarto fazendo agachamento, o que não adiantava nada já que não comia direito e muito menos alimentos ricos em proteínas.

Fiquei um bom tempo fazendo isso. Mas aos quinze foi que eu realmente comecei a me sentir melhor, comecei a me olhar além do corpo que tinha, não importava se meu exterior era feio, meu interior é bonito e isso é o que importa. Foi nessa época que criei o blog, e ele foi uma das maneiras que me ajudou a sair disso. Falar o que eu sentia era libertador. Nunca cheguei a falar isso com ninguém, me sinto com vergonha por ter passado por isso. Ainda hoje muitas pessoas lembram de como eu era gordinha e agora estou assim, "magrinha".

No meio do ano passado comecei a fazer exercício com minha mãe, e não escondida como de costume, e comer mais proteínas. Era ótimo poder fazer essas coisas sem ter que esconder, como se estivesse fazendo coisa errada. Sei que se amar é uma tarefa difícil. Um dia desses mesmo estava super pra baixo por estar tão magra, sem peito nenhum. E um tempo atrás estava doida querendo comer um doce, mas como não podia sair da dieta fiquei dias com vontade. Só que quando comi um açaí com Nutella, leite em pó e Disquete senti uma liberdade tão grande que vocês não têm noção. Posso dizer que foi o melhor açaí de todos.

O que eu quero mesmo é dizer que não existe corpo perfeito, cada um é o que é. Se você quer emagrecer ou engordar pra agradar os outros, sinto muito, mas nunca vai estar feliz. A vida é só uma, então faça que ela vale a pena e se ame!

6 comentários:

  1. Que legal você conversar abertamente sobre isso agora... Tantas meninas tem problemas assim como o que você já teve e sofrem muito com isso... Fico feliz por você ter superado!
    Eu, particularmente, vivo como uma montanha russa com meu corpo. Tem dias que acho "ok", em outros, me acho completamente magra e o fato de não ter os tais "peitos ideais", me faz achar mais ainda isso. Mas tudo passa, né?

    - Se quiser conferir as novidades do Blog Lele Things, acesss: www.lelethings.blogspot.com

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  2. Poxa, que desabafo, de certa forma, bonito. Não o que você passou, é claro, mas, você ter coragem de falar sobre isso e falar com tanta delicadeza. Não se amar, eu deveria dizer, virou quase uma patologia separada dos outros transtornos, pois, posso dizer que a ansiedade, depressão e bulimia são geradas a partir disso.
    Acredito que todas as pessoas que passaram ou ainda passam isso sentem esses desespero por algo que nunca chega, pois como você mesma disse a cima, quando conseguiu "chegar" no que queria, você via outras coisas e assim vai indo, sempre querendo algo que nunca chega.
    Mas, que bom que superou e que bom que pode tomar um grande açai. E que venham muitos mais para você e que eles tragam paz para alma. Adorei o blog, super beijo!

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  3. Nossa passei por coisas parecida e ainda meio que passo, a única coisa diferente é que antes de casar e minha vida toda antes de casar sempre fui magra, comia de tudo e não engordava uma grama e não queria que isso acontecesse, e sempre bem magra eu me achava gorda, pq assim como vc eu tinha corpo (Tinha curvas), mas não era gorda. Mas na minha cabeça a minha barriga que era lisa estava gorda! Agora que casei depois de uns 3 anos engordei mas por conta do remédio anticoncepcional, ainda tenho um tal distúrbio de estar mais gorda e querer voltar como eu era, fico na luta para voltar a ter um corpo mais ou menos meu antes, na minha cabeça eu não me aceito assim! Mas bola para frente que a vida segue.

    Beijoooos e parabéns pelo texto eu não tenho essa capacidade de escrever sobre esses assuntos, você está de parabéns :D

    Blog Dreams Blue
    jeehchristine.wordpress.com

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  4. Oi

    Engraçado ler isso hoje.Eu tenho uma colega que foi gordinha uma época e para emagrecer começou a enfiar o dedo na garganta para vomitar.
    Hoje eu vi uma foto dela no Facebook e me espantei com o quanto ela estava magra.Sabe daquele tipo que da até nervoso na gente?E tenho certeza se eu esbarrar nela ,o comentario que ela vai falar é que quer emagrecer um pouco mais
    E eu estava pensando em tantas pessoas que também estabelecem esse padrão para elas mesmas
    Que bom que você encontrou esse espaço para desabafar e começou a aceitar o seu corpo .
    Beijos

    Meu mundinho quase perfeito

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  5. É isso que eu vivo dizendo! Corpo perfeito é aquele com o qual nos sentimos bem, não o que a mídia e a sociedade decidiu que era o "perfeito". Adorei essa reflexão que você fez, compartilhando suas experiências e inspirando outras pessoas :)

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  6. Que lindo! Não sinta vergonha do que você passou, faz parte da sia história e ninguém tem direito de te jugar. O sorriso e o amor próprio é o melhor corpo que poderíamos ter. Amei seu texto e segui seu blog!

    Beijocas,
    Dossiê de Verão | Fanpage | Instagram

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